A Teoria do Mercado Eficiente Funciona?

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A Teoria do Mercado Eficiente Funciona

Uma das teorias mais disseminadas no meio dos investimentos em ações diz que o mercado é eficiente. Segundo essa teoria, o mercado reflete toda a informação disponível para todos os agentes do sistema e, com isso, não haveria como alguém sair melhor do que o mercado. Mas será mesmo que não há como alguém “bater o mercado”?

A teoria do mercado eficiente não é tão eficiente assim

A teoria do mercado eficiente começou a sofrer críticas há algumas décadas, por um sujeito chamado Benjamin Graham. Segundo ele, o mercado é ineficiente e muitas vezes uma empresa é avaliada tanto acima quanto abaixo de seu valor intrínseco.

Qual é a Hipótese de Mercado Eficiente?

A hipótese do mercado eficiente, também conhecida como a teoria do mercado eficiente, é uma hipótese que afirma que os preços das ações refletem todas as informações e que a geração alfa consistente é impossível.

Segundo a hipótese, as ações sempre são negociadas pelo seu valor justo nas bolsas, impossibilitando para os investidores comprar ações subvalorizadas ou vender a preços supervalorizados.

Portanto, deve ser impossível superar o desempenho geral do mercado através de uma seleção especializada de ações ou de um timing de mercado, e a única maneira de um investidor obter maiores retornos é comprando investimentos mais arriscados.

O que é a hipótese do mercado eficiente?
Essa hipótese foi formulada pelo economista americano Eugene Fama

O grande problema, então, passa a ser definir o que é o valor intrínseco de uma empresa. Definido isso, é possível definir se o preço de mercado da ação é justo, está subavaliado ou supervalorizado. Graham conseguiu, por anos a fio, bater o mercado; e, seguindo seus ensinamentos, também Warren Buffett. Outro grande investidor, Peter Lynch, segue filosofia parecida e também obteve resultados espetaculares.

Se a teoria está certa, porque alguns investidores conseguiram resultados tão acima da expectativa? Seria apenas mero resultado aleatório? Em 1984, Warren Buffett criticou a hipótese do mercado eficiente em uma palestra na Universidade de Columbia.

Em uma parte da palestra, ele faz a seguinte experiência de pensamento: imagine que, a cada manhã, os então 225 milhões de americanos jogam uma moeda de um dólar para cima e, se der o resultado esperado (digamos, “cara”), os que perderam dão um dólar para os que acertaram. A cada dia, os perdedores são excluídos da disputa e os seguintes continuam no jogo, e o dinheiro acumulado até então é colocado na disputa.

Depois de apenas 10 dias, restariam apenas 220.000 pessoas na disputa que havia acertado dez dias seguidos, e cada uma delas teria ganho até então US $1.000,00. Em mais dez dias, restariam apenas 215 jogadores que haviam conseguido acertar 20 rodadas seguidas do jogo – e teriam, cada um, pouco mais de US $1.000.000,00.

Mas será que alguns desses jogadores realmente têm uma estratégia especial? Buffett brinca: “nesse momento, eles escrevem livros sobre ‘Como transformei um dólar em um milhão, em vinte dias, trabalhando trinta segundos pela manhã”. Evidentemente, logo apareceria um professor rude que mostraria que, se os orangotangos fizessem o mesmo, o resultado seria idêntico.

Mas, nesse ponto, Buffett apresenta outra informação: haveria algo de estranho se todos os orangotangos que continuassem na disputa após o vigésimo dia viessem do mesmo zoológico. Ou, se todos os investidores do primeiro exemplo adotassem a mesma estratégia de investimento – a estratégia de investimento em valor.

Value Investing Contradiz a Teoria do Mercado Eficiente

Embora essa seja apenas uma experiência de pensamento, houve teste real da “parábola” contada por Buffett. Charles Mizrai, no livro Getting started in value investing (traduzido no Brasil como “Monte uma carteira vencedora“), apresenta estudo de Lowenstein no contexto da bolha das empresas de tecnologia, nos anos 1999-2000.

No estudo, Lowenstein estudou o desempenho de 10 fundos de investimento em ação que adotavam a estratégia de investimento em valor durante os 5 anos entre a formação da bolha e seu completo crash (1999-2003). Segundo a hipótese do mercado eficiente, não teria como esses fundos se saírem melhor do que o mercado, na média.

Evidentemente, alguns poderiam se sair pior e outros melhor, por fatores aleatórios, mas na média eles deveriam estar não muito acima nem muito abaixo do desempenho do mercado. O resultado do estudo? Todos os fundos apresentaram resultado superior ao do índice S&P 500. Nas palavras de Mizrahi:

O retorno apresentado pelos 10 fundos de investimento em valor superou em muito o índice S&P 500. Matemáticos chamam esse evento de 5 sigma, que não poderia acontecer por puro acaso. A média anual de 5 anos até 2003 dos 10 fundos foi de 10,82%, acima de 11% a mais do que a média apresentada pelo índice S&P 500.

A teoria do mercado eficiente, por mais que seja estudada no meio acadêmico, precisa ser revista.

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